OS PATRIARCAS - ABRAÃO, ISAAC E JACÓ
O povo da Bíblia chama-se a sim mesmo “filhos (=descendentes) de Israel” (israelitas); os outros o chamam de “hebreus” (=gente desorganizada, nômades) … Israel é o neto de Abraão, o patriarca por excelência. Ligado à antiga cultura da Mesopotâmia, a Babilônia do tempo do rei Hamurabi (por volta de 1800 aC). Abraão migra para a terra de Canaã (Israel – Palestina- Líbano) (Gn 12). Tem dois filhos: Ismael, do qual descendem os ismaelitas (os Árabes), e Isaac, o pai de Jacó, que é chamado Israel. No tempo de Jacó-Israel, o país dominante é o Egito. Para lá se dirigem, num momento de carestia, os doze filhos de Jacó – José e seus irmãos (Gn 47). É lá também que, depois da morte de José, vão conhecer a escravidão (Ex 1-5).
ISRAEL ANTIGO - MOISÉS E O ÊXODO
A história do Israel antigo começa com Moisés e o Êxodo. Graças ao líder Moisés (Ex 6), e com a ajuda de Deus, os “filhos de Israel” são libertados da escravidão, atravessando o mar Vermelho (ou: dos juncos), no qual o faraó do Egito e suas tropas afundam (Ex 15). Essa libertação significa que eles já não devem obediência ao faraó, mas sim, àquele que os libertou do Egito: Deus (“Javé”, por reverência chamado “o senhor”). Moisés estabelece uma aliança (pacto) entre o senhor, como soberano e o povo do Senhor, como vassalo (Ex 19-24). Para procederem conforme essa aliança, para procederem conforme esta aliança Moisés dá ao povo a lei “torá”. Por isso Moisés é considerado o primeiro dos profetas.
JOSUÉ E OS JUÍZES
Depois da morte de Moisés, Josué introduz na terra prometida e lidera a tomada de posse dessa “herança” (Js 1), renovando a aliança com o Senhor (Js 24). As doze tribos (conforme o número dos filhos de Jacó-Israel) se estabelecem em ambas as margens do rio Jordão. São governadas por líderes chamados “Juízes” que presidem o conselho dos anciãos. Em tempo de ameaça dos povos de Canaã e de outros estranhos. Algum juiz pode reunir as diversas tribos para se defenderem. É o que faz a Juíza Débora (Jz 4-5).
OS PRIMEIROS REIS - SAUL DAVI E SALOMÃO
Quando esse método de defesa se mostra fraco, sobretudo contra os fortemente armados filisteus, o povo pede ao juiz e profeta Samuel um rei, que tenha um exército permanente, mais que por isso também cobrará tributo (1Sm8). O primeiro rei (das dez tribos do norte) é Saul. Depois dele, vem Davi (1000 aC), que governa sobre o norte (Israel) e o sul (Judá). Seu sucessor Salomão constrói o templo de Jerusalém. Reina com muito luxo e muitos impostos; por isso, na sua morte, as tribos do norte separam-se do sul (1 Rs12).
O REINO DIVIDO - O REINO DO NORTE(ISRAEL) - OS ASSÍRIOS
O primeiro rei do norte é o rebelde Jeroboão I. um dos seus sucessores Amri, constrói Samaria como nova capital. Seu filho Acab lhe sucede no trono. No tempo deles atuam os profetas Elias, Eliseu, e Miquéias de Jemla. Outro sucessor, Jeroboão II, é contemporâneo dos profetas, Amós e Oséias. Em 722 aC, os assírios, novos “donos do mundo”, invadem Samaria e deportam os samaritanos para outras regiões de seu império (2Rs17).
O REINO DO SUL ( JUDÁ)
No sul perpetua-se a linhagem de Davi. O sucessor de Salomão é Roboão. Mas o sul só ganha importância com o rei Josafá, que se une a Acab na luta contra os arameus (sírios), no século 8ºaC. Quando o norte é submetido pelos Assírios, vemos surgir os profetas no sul (Miquéias de Morasti e Isaías), no tempo do rei Acaz. Seu sucessor, Ezequias, tenta uma reforma religiosa, mas vira vassalo dos assírios. Só no meio do século depois, o rei Josias (por volta de 620 aC) realizará uma reforma significativa: acaba com os “lugares altos” no interior e concentra todo o culto e o sacerdócio no templo de Jerusalém. Essa reforma é chamada “reforma deuteronomista”, porque está relacionada com o primeiro esboço do livro do Deuteronômio (Ver 2Rs 22-23). Por esse tempo atuam os profetas Jeremias e Sofonias. Jeremias insiste junto aos sucessores de Josias (Joaquim, Jeconias e Sedecias) para que não façam pactos com os egípcios, mais aceitem o poder de fato que agora está nos babilônios.
OS BABILÔNICOS - O EXILIO BABILÔNICO
De fato, em 597 o rei da Babilônia, Nabucodonosor, faz uma expedição punitiva contra Jerusalém e leva o rei Jeconias e seu partidários para a Babilônia (1ª deportação para o Exílio Babilônico; 2Rs 24). Quando em 586 seu sucessor Sedecias comete o mesmo erro, entre os babilônios destroem o templo e levam o rei e sua gente (2ª deportação; 2Rs 25). Os profetas exilados são Ezequiel e um longínquo discípulo de Isaías (o segundo Isaías). O exílio dura até 538, quando Ciro, rei da Pérsia, depois de vencer os babilônios, se torna o novo “dono do mundo” e decreta liberdade dos exilados (edito de Ciro: 2Cr 36, 22-23).
O PERÍODO PERSA - NASCE O "JUDAÍSMO"
Depois da volta, os exilados restauram Jerusalém. Os profetas da restauração são: um outro longínquo discípulo de Isaías (o “terceiro Isaías”), Ageu e Zacarias, os quais apoiam a reconstrução do templo (o “segundo templo”), construído pelo sumo sacerdote Josué e pelo governador Zorobabel. Zorobabel é descendente de Davi, mas não pode ser rei, pois a autoridade real é exercida pelo rei da Pérsia: o povo não é totalmente livre. No nível da comunidade, é governado pelos sacerdotes do templo. Sua referência de unidade está em Judá (Jerusalém); por isso, este período é chamado o judaísmo. Nos séculos 5º-4ºac, o governador Neemias e o escriba-sacerdote Esdras consolidam a organização do povo em Jerusalém. A Esdras atribui-se a leitura da lei (Ne 8) e a organização das sinagogas e o estudo da lei. É chamado o pai no judaísmo.
O JUDAÍSMO NO HELENISMO
Por volta de 330 aC, Alexandre Magno, “o grego”, conquista o império persa, inclusive Judá. Assim começa o helenismo (heleno=grego). Depois da morte de Alexandre, em 323, seu reino é dividido. Durante o 3º século aC, Judá vive sob o poder dos sucessores de Alexandre no Egito (lágidas ou ptolomeus). Os samaritanos, que no tempo dos persas obedeciam a Jerusalém, agora separaram-se dos Judeus. Por outro lado, muitos judeus se instalam na magnífica metrópole Alexandria do Egito, onde, por volta de 250, começam a traduzir a Bíblia para o grego. No 2º século, os reis helenistas da Síria (selêucidas) abocanharam Judá. Em 167, o rei Antíoco Epífanes profana o templo. Isso provoca a resistência armada de Judas Macabeu e seus irmãos: a luta dos macabeus. Em 164, Judas Macabeu reconquista e reconsagra o templo (1Mc4, 36-61). Os macabeus chegaram a constituir uma dinastia, ou linhagem hereditária de reis nacionais: a dinastia dos Hasmoneu. Mas essa não é muito santa. Encampam o sumo sacerdócio, apoiados pelos sacerdotes do templo (saduceus). Isso provoca a oposição dos fariseus (leigos) e dos essênios (sacerdotes). Acirra-se também o conflito com os samaritanos: em 128, o Hasmoneu João Hircano destrói o santuário dos samaritanos no monte Garizim.
OS ROMANOS - INÍCIOS DO CRISTIANISMO
Quando as brigas internas dos Hasmoneu tornam o país ingovernável, os anciãos de Judá apelam para os romanos, os novos “donos do mundo”. Em 63 aC eles vêm para ficar, sob o comando do general Pompeu. Nomeiam o idumeu Antípater vice-rei. Seu filho, Herodes, o Grande sucede-lhe. No fim do seu governo, no tempo do imperador Augusto, nasce Jesus de Nazaré (ca. 5 aC), que atuará e será crucificado durante o império de Tibério, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia e Herodes Antípas vice-rei na Galileia (Lc 2,1-7; 3, 1-2; 21-23).
Enquanto a Judéia é administrada pelos governadores romanos e os vice-reis descendentes de Herodes (Agripa I e Agripa II, nasce e cresce a comunidade dos seguidores de Jesus, com Pedro e Tiago como principais líderes. E um fariseu convertido, Saulo de Tarso (=Paulo), provoca a grande expansão do cristianismo pelo mundo greco-romano (At 15).
FIM DO TEMPLO E DO JUDAÍSMO ANTIGO - NASCIMENTO DO JUDAÍSMO RABINICO
Em 66 dC, o movimento nacionalista dos zelotes inicia uma guerra contra os romanos. Os zelotes ocupam o templo de Jerusalém. Depois de cruel assédio, o general Tito toma a cidade e destrói o templo, em 70 dC. Os escribas fariseus, que anteriormente se tinham refugiado com os livros sagrados em Jâmnia, a 50km de Jerusalém, refundam então o Judaísmo com base no estudo da lei (sem templo nem sacrifícios): o judaísmo formativo, presidido pelos rabinos, do qual deriva o judaísmo que conhecemos hoje.
GESTAÇÃO, NASCIMENTO E CRESCIMENTO DA BÍBLIA
Qual foi neste quadro, a história da própria bíblia?
A Bíblia foi gestada a partir do êxodo do Egito e dada à luz no tempo do exílio babilônico. A gestação no coração do povo começou com Moisés, por volta de 1200 aC. Líder do êxodo e transmissor da Lei, tornou-se o ponto de referência da memória do povo, daquilo que mais tarde ia ser chamado “a lei os profetas”. O nascimento da Bíblia situa-se logo depois do exílio babilônico, por volta de 450 aC. Naquela circunstância, os judeus, tanto exilados como remanescentes, consignaram em forma de livro sua memória de “povo eleito por Deus”.
– A “Lei” (Gn, Ex, Lv, Nm, Dt): os textos e as tradições a respeito da libertação da escravidão do Egito, sob a liderança de Moisés, que tinha promulgado a Lei se selado a Aliança de Deus.
– Os “Profetas anteriores” (Js, Jz, 1-2Sm, 1-2Rs): a história do povo de Israel no tempo dos grandes profetas, que foram os porta-vozes do SENHOR, desde Moisés até os profetas que falaram aos últimos reis de Israel e de Judá.
Mais tarde foram acrescentados:
– Os “Profetas posteriores” ( Is, Jr, Ez e os 12 profetas maiores): os oráculos dos antigos profetas completados com os que atuaram depois do Exílio.
– Os “Escritos” (Sl, Jó, Pr, Rt, Ct, Ecl, Lm, Est, Dn, Esd-Ne, 1-2Cr.): os salmos cantados nos templos, os provérbios e pensamentos dos sábios, baseados em longa tradição, textos poéticos como o Cânticos dos Cânticos etc.
Bíblia Sagrada. Edição revisada e atualizada. CNBB. Brasília/DF. 2009.
GABEL, John,B; WHEELER, Charles b. A Bíblia como literatura. São Paulo: edições Loyola,1993.
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