Introdução
Temos hoje quatro evangelhos, mais nem sempre foi assim, pois muita gente resolveu contar tudo que existia, nas comunidades sobre Jesus (cf. Lc 1,1-3). Atualmente temos quatro evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. Os três primeiros são chamados sinóticos, porque são idênticos, em conteúdos que detalharemos em outra oportunidade a chamada questão sinótica, que de momento não nos interessa, neste estudo vamos estudar precisamente o evangelho de Marcos.
O evangelista ele se preocupa em descrever a sua experiência com o mestre, de certo modo ele pinta ou expressa a seu modo, mais sempre pensando nas comunidades destinatárias, levando em conta seus problemas, escreve para ajudá-las e dar-lhes uma boa notícia. Jesus morre aproximadamente pelo ano 33, o evangelho de Marcos foi escrito em torno do ano 70d.C, nesta época as comunidades já estavam espalhadas pelo Império Romano, não se sabe de certo para quem ele escreveu seu evangelho, alguns acham que foram para as comunidades da Itália, outros da Síria, mas não se tem uma definição sobre isso, o que sabe é que estas comunidades passavam por diversos problemas.
A ameaça e perseguição por parte do Império Romano, era constante, havia muito medo, muitos cristãos foram mortos nesta época, voltando um pouco na história em 64, seis anos antes os cristãos sobre o domínio de Nero, sofreram muito, a chamada primeira grande perseguição, foi como uma tempestade na vida destas comunidades, muitos dos discípulos e discípulas de Jesus, morreram nesta época, outros renegaram a fé, o que se sabe é que houve uma grande dispersão por todo Império.
Naqueles mesmos anos, 67 e 70, os judeus residentes na palestina se rebelaram contra o império Romano, sendo reprimido por Roma, Jerusalém a grande capital foi cercado pelo exército, o templo foi profanado, entre os próprios judeus existiam divisões, alguns ficavam na dúvida se lutavam ou não contra os Romanos, o que causavam muitos problemas nestas comunidades, o horizonte não estava claro, havia muita divisão e guerra entre eles.
Para os judeus, não cristãos Jesus não seria o Messias, porque a sua morte contraria as escrituras que afirma no Antigo Testamento que aqueles condenados á morte de Cruz é considerado maldito diante de Deus (Dt 21,33). Então para eles como pode um maldito por Deus, pode ser o Messias, o enviado por Deus, o libertador? Para os judeus este é um dos principais impedimentos para crer em Jesus, “A cruz é um escândalo”, o que levantou muitas questões sobre quem é Jesus, será que ele é realmente o Filho de Deus?(14,61).
Na comunidade dos seguidores de Jesus, começaram a acontecer muitos problemas internos, no que diz respeito à liderança, os discípulos a maioria já tinha morrido, para esta geração de lideres não estava claro, como fazer para coordenar uma comunidade cristã. Além desses, tinham outros muitos problemas, entretanto estas dificuldades não foram suficientes para desviar os cristãos da fidelidade e do compromisso da sua fé, em meio a tudo isso existia uma única preocupação como ser discípulo e discípula de Jesus em meio desta situação complicada e difícil.
Diante desta realidade é que Marcos escreve o seu evangelho, digamos que para a comunidade nada é novo, talvez a comunidade, agisse como nós nas missas dos domingos, a leitura do evangelho todo mundo já conhece, o que tem de novo é a explicação do padre ou do (a) ministro (a) da palavra. As comunidades destinatárias de Marcos, já conheciam as histórias de referentes a Jesus, pois havia quase uns trinta anos que as ouviam e meditavam nas reuniões e celebrações, o que tem de novo é o jeito como Marcos conta a história, como ele as arruma, o que ele queria de fato é que as comunidades ao ler estas histórias descubram nelas o jeito de serem discípulo e discípula de Jesus, de fato, percebemos que o destaque no evangelho de Marcos são os discípulos.
No evangelho de Marcos os discípulos aparecem como os queridos de Jesus. A primeira coisa que Jesus faz ao iniciar seu ministério é chamar discípulos (1, 16-20), e a última é chamar discípulos (16, 7.15). Ele os leva para todos os lugares, do começo ao fim, chegando até a dizer: “Eles são meus irmãos, minhas irmãs, minha mãe” (3,34). Quando não entendem algo, ele os explica em casa.
Além disso, Marcos que nos dizer algo mais, a maneira como ele fala dos discípulos soa-nos estranho, no inicio o grupo é como que privilegiado, digamos que uma comunidade modelo, mas de repente tudo desanda nos impressionar o comportamento dos mesmos de olharmos de perto. Não compreendem as parábolas (4,13) não tem fé em Jesus (4,40). Não entendem a multiplicação dos pães (6,52), e tantos outros até o ponto que no momento da prisão, todos fogem e Jesus fica só (14,50).
Algumas pessoas vendo Marcos apontar os defeitos dos discípulos pode concluir, por exemplo, que aqueles discípulos não prestavam, o que Marcos estava criticando os lideres de Jerusalém, entretanto não é nada disso, o evangelista estava querendo acordar os lideres das comunidades que falamos no inicio, estava que colocando um espelho na frente deles. Insistir nos defeitos dos primeiros discípulos, era à maneira de que os novos lideres e as comunidades olhassem, de certo modo para os seus próprios defeitos e se convertessem, mas, sobretudo para que não desanimassem diante dos defeitos e das muitas dificuldades enfrentadas, porque o mesmo Jesus que mesmo abandonado, acolheu a todos de volta, também continua no meio de nós acolhendo-nos, e chamando-nos de novo.
O evangelho e Marcos não informam sobre fatos da vida de Jesus no passado mais quer que você se envolva e se identifique com os discípulos dele, a tal ponto de reviver as alegrias e as tristezas vividas. Mais também que percorra o mesmo caminho daqueles primeiros discípulos junto com Jesus, desde a Galiléia até Jerusalém.
O evangelho começa dizendo: “principio da Boa Nova de Jesus Cristo, “filho de Deus”! (1,1). E no fim quando Jesus morre afirma:” verdadeiramente, este homem era “filho de Deus” (15,39), ou seja, este é um dos pontos importante, da Galiléia ao calvário, esta é a estrada do Jesus.
Todo relato, quer nos ajudar a entender o melhor o sentido e o alcance da sua fé em Jesus, o filho de Deus, é um roteiro de viagem na estrada de Jesus, que nos ajudar a entender, quem é Jesus? Como ser discípulo dele? É o que estudaremos a partir de agora.
Alguns passos são necessários neste caminha como discípulos de discípulas, no evangelho de Marcos são quatro:
ESQUEMA
Mc 1,1-15: Introdução e Apresentação
Mc 1, 16 – 6,13 – O entusiasmo do início - Este primeiro passo começa com a chamada dos discípulos à beira do lago (1,16) e termina com o envio para a missão (6,13).
Mc 1, 35 – 8,21 - O desencontro e a crise - A tensão entre Jesus e os discípulos aparece durante a fase do entusiasmo, quase desde o início (1, 35-38), e chega a uma quase ruptura entre os dois (8, 14-21).
Mc 8,22 – 13,37 – A longa instrução - São mais de cinco capítulos. É uma instrução variada: em palavras, a através de ações, e por meio de um discurso.
Mc 14,1 – 16,8 – O fracasso final, que acontece durante a paixão e morte de Jesus, torna-se apelo para um novo começo.
PARA AJUDAR NO APRENDIZADO
1. Quais os maiores problemas das comunidades para as quais foi escrito o evangelho de Marcos?
2. De que maneira o evangelho de Marcos ajudava as comunidades e enfrentar os seus problemas
3. Qual a principal preocupação que percorre o evangelho de Marcos?
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